AUTORES LONDRINENSES EMBARCAM NA PRODUÇÃO DE CURTAS
Foto: Bruno Gehring
“O cinema tem privilégios. Assim como a vida, ele não tem sentido. Aliás, não precisa ter. Seu objetivo é confundir, ampliar, redimensionar a pretensa imagem que temos do mundo e de nós mesmos. Para isso, ele não deve explicar, encerrar, definir nem propor. Cinema é algo inacabado, em fluxo, fragmento. Quase invisível. Quase...” (www.mostralondrinadecinema.com.br)
Um novo conceito de cultura vem surgindo em Londrina em relação ao cinema. Muito além de exibições de películas em salas comerciais, produtores, cineastas, atores, diretores e um público bastante interessado vêm a algum tempo trabalhando duro para conseguir estimular uma cultura audiovisual ativa na cidade.
Embora longe de se tornar uma preferência unânime, os londrinenses estão cada vez mais acostumados com exibições de filmes nacionais e com a idéia de se produzir cinema na cidade. Apesar do conservadorismo ainda presente diante de uma novidade, existe um segmento que acredita e investe na ação.
Atualmente, vem sendo produzido, “Maria Angélica”, um curta-metragem produzido e dirigido pelo jornalista e roteirista Francelino França. A história trata de questões existenciais apresentando a agressividade de uma mãe contra a filha de nove anos, ao se sentir culpada por ter matado acidentalmente o filho recém-nascido. O refúgio para a garota é o cemitério, local onde a mãe religiosamente cumpre uma promessa. Naquele território, a menina se sente livre, sem opressão e violência, e fala com amigos imaginários, crianças já falecidas, além de um intrigante coveiro. O pai da garota acompanha tudo com uma atitude passiva diante do comportamento da mulher. Seguindo para um final que promete ser surpreendente.
“Maria Angélica é um filme de alta complexidade. E o resultado está ficando melhor que o esperado”, diz o diretor. França ainda afirma que o público nesse caso é generoso e sabe que é refém de uma imagem que vem de fora, e que quando se vê diante da oportunidade de ter sua história representada na tela, se identifica muito.
Com a Lei de Obrigatoriedade e Exibição (implantada em meados dos anos 80), permitindo que os filmes pudessem ser exibidos em salas comerciais, e mais tarde, a Lei do Audiovisual, estabelecida pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), possibilitou que novas produções cinematográficas fossem feitas de uma maneira mais dinâmica e madura.
Em Londrina não podia ser diferente. Foi criado em 2003, o Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), uma organização não governamental, que tem como objetivo promover a cultura audiovisual, através de produção, exibição e preservação de filmes, além da realização de cursos, oficinas e palestras. Profissionais de alta qualidade são selecionados para fazer parte da equipe. “A maior preocupação é com a qualidade dos filmes, e não tanto com a idéia de vender ou não os mesmos”, comentou Bruno Gehring, Produtor Executivo do curta.
Contudo, Argel Medeiros, Diretor de Produção do “Maria Angélica”, afirma que a ONG tem se deparado com dificuldades para concluir o projeto diante das questões financeiras. Como dito anteriormente, algumas empresas já têm a consciência de como é caro fazer cinema e de quão importante é ajudar a expansão da cultura no país. Porém, Argel conclui que, muitas dessas empresas que tem intenção de ajudar, só o fazem se o projeto estiver de acordo com a Lei Rouanet (ver site www.cultura.gov.br). Há uma burocracia muito grande. Os idealizadores do projeto se vêem presos para seguir adiante conforme planejado.
O apoio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) que viabilizou uma verba de R$ 79.698,20 para este projeto, por exemplo, foi suficiente apenas para o início das gravações. Boa parte das despesas foi por conta de algumas empresas na cidade e inclusive do próprio diretor. Para a edição e finalização, já é outra história. “A parte final, é como se você começasse um outro filme”, explicou França.
Além do patrocínio direto com empresas, a equipe de produtores tenta conseguir um editor de experiência que eleve o nível do filme para apresentá-lo à Lei do Audiovisual, chegando assim ao processo esperado para a finalização.
NOTA: O diretor do curta, Francelino França, faleceu no dia 09 de setembro de 2006, em Londrina, em decorrência de falência do intestino. Segundo o pai de França, há 14 anos o filho lutava contra problemas de saúde. Em virtude disso, além de outros problemas finaceiros, o filme ainda não pode ser finalizado.
Um novo conceito de cultura vem surgindo em Londrina em relação ao cinema. Muito além de exibições de películas em salas comerciais, produtores, cineastas, atores, diretores e um público bastante interessado vêm a algum tempo trabalhando duro para conseguir estimular uma cultura audiovisual ativa na cidade.
Embora longe de se tornar uma preferência unânime, os londrinenses estão cada vez mais acostumados com exibições de filmes nacionais e com a idéia de se produzir cinema na cidade. Apesar do conservadorismo ainda presente diante de uma novidade, existe um segmento que acredita e investe na ação.
Atualmente, vem sendo produzido, “Maria Angélica”, um curta-metragem produzido e dirigido pelo jornalista e roteirista Francelino França. A história trata de questões existenciais apresentando a agressividade de uma mãe contra a filha de nove anos, ao se sentir culpada por ter matado acidentalmente o filho recém-nascido. O refúgio para a garota é o cemitério, local onde a mãe religiosamente cumpre uma promessa. Naquele território, a menina se sente livre, sem opressão e violência, e fala com amigos imaginários, crianças já falecidas, além de um intrigante coveiro. O pai da garota acompanha tudo com uma atitude passiva diante do comportamento da mulher. Seguindo para um final que promete ser surpreendente.
“Maria Angélica é um filme de alta complexidade. E o resultado está ficando melhor que o esperado”, diz o diretor. França ainda afirma que o público nesse caso é generoso e sabe que é refém de uma imagem que vem de fora, e que quando se vê diante da oportunidade de ter sua história representada na tela, se identifica muito.
Com a Lei de Obrigatoriedade e Exibição (implantada em meados dos anos 80), permitindo que os filmes pudessem ser exibidos em salas comerciais, e mais tarde, a Lei do Audiovisual, estabelecida pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), possibilitou que novas produções cinematográficas fossem feitas de uma maneira mais dinâmica e madura.
Em Londrina não podia ser diferente. Foi criado em 2003, o Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), uma organização não governamental, que tem como objetivo promover a cultura audiovisual, através de produção, exibição e preservação de filmes, além da realização de cursos, oficinas e palestras. Profissionais de alta qualidade são selecionados para fazer parte da equipe. “A maior preocupação é com a qualidade dos filmes, e não tanto com a idéia de vender ou não os mesmos”, comentou Bruno Gehring, Produtor Executivo do curta.
Contudo, Argel Medeiros, Diretor de Produção do “Maria Angélica”, afirma que a ONG tem se deparado com dificuldades para concluir o projeto diante das questões financeiras. Como dito anteriormente, algumas empresas já têm a consciência de como é caro fazer cinema e de quão importante é ajudar a expansão da cultura no país. Porém, Argel conclui que, muitas dessas empresas que tem intenção de ajudar, só o fazem se o projeto estiver de acordo com a Lei Rouanet (ver site www.cultura.gov.br). Há uma burocracia muito grande. Os idealizadores do projeto se vêem presos para seguir adiante conforme planejado.
O apoio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) que viabilizou uma verba de R$ 79.698,20 para este projeto, por exemplo, foi suficiente apenas para o início das gravações. Boa parte das despesas foi por conta de algumas empresas na cidade e inclusive do próprio diretor. Para a edição e finalização, já é outra história. “A parte final, é como se você começasse um outro filme”, explicou França.
Além do patrocínio direto com empresas, a equipe de produtores tenta conseguir um editor de experiência que eleve o nível do filme para apresentá-lo à Lei do Audiovisual, chegando assim ao processo esperado para a finalização.
NOTA: O diretor do curta, Francelino França, faleceu no dia 09 de setembro de 2006, em Londrina, em decorrência de falência do intestino. Segundo o pai de França, há 14 anos o filho lutava contra problemas de saúde. Em virtude disso, além de outros problemas finaceiros, o filme ainda não pode ser finalizado.
(publicada na Folha Metropolitana, Jornal Laboratório Metropolitana IESB, Ed 1, 2006-2)
por Juliana Nunes

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