Sunday, April 06, 2008

UM BAR PARA TODOS OS TIPOS


Como um dos espaços mais característicos de Londrina, o Bar Valentino, inaugurado em 1979, pelo professor de história, José Antonio Teodoro, se transformou num dos pontos mais requisitados entre os variados tipos: intelectuais da arte e da música, o público GLS, jornalistas, estudantes em geral e principalmente pessoas com estilo alternativo. Teodoro, como era chamado, era homossexual e acabou alugando uma casa de madeira para fazer reuniões com os amigos. Foi incentivado por eles a transformar o local em um bar, sem, no entanto, modificar a estrutura da casa. Ele era obcecado por cinema, e em especial por Marilyn Monroe, o que fez com que o bar fosse pensado e decorado com motivos de cinema. O nome “Valentino” é inspirado em Rodolfo Valentino, outro de seus ídolos. A logomarca em Néon, no telhado do bar, é a silhueta de uma personagem, também de Valentino.
Desde a inauguração, o local já foi visitado por celebridades como Ruth de Souza, Tônia Carrero, Paulo César Pereio, José de Abreu, Língua de Trapo, Ney Latorraca, Nana Caymi, Diana Pequeno, Angeli, Lucélia Santos, dentre outros.
Reduto músico-teatral – Na época da inauguração, Londrina participava do circuito do Projeto Pixinguinha, onde eram apresentados shows restritos com gente famosa, que ocorriam aos finais de semana. Dentre as muitas apresentações teatrais de grupos locais e performances, bandas e artistas londrinenses de Jazz, Soul, Blues, Rock e MPB, havia ainda um acervo diversificado de discos de vinil.
Nova fase – Teodoro foi para o exterior e vendeu o bar para Pino, um italiano que introduziu o cardápio de massas no bar – que antes era composto apenas por “petiscos” como lingüiça e carne seca. Mais tarde seguiu o caminho do teatro onde participou do grupo Cemitério de Automóveis. Foi então que Marcos Marangoni comprou o bar e o manteve por quase 10 anos. Sua família era proprietária de uma casa de massas, e Marangoni trouxe de lá a idéia da massa caseira. Tudo era preparado da maneira mais natural possível, com massa fresca, sem produtos industrializados ou conservantes, o que fez com que o macarrão do bar se tornasse um dos mais famosos da cidade.
Contemporâneo – Waldomiro Chamé e Rosângela Sperandio Chamé são os atuais proprietários, juntamente com Márcio Guerra, hoje sócio-proprietário. Eles estão à frente do bar há 10 anos e mantiveram o cardápio e os espaços característicos do Valentino, que já havia se consolidado como um dos bares mais tradicionais da cidade. Durante o ano de 2002, o terreno onde era localizado o bar, na Avenida Bandeirantes, foi vendido a um grupo de empresários locais, que pretendiam construir ali um prédio comercial. A mudança do Valentino ganhou espaço em toda a mídia local, onde a população reivindicava o Bar Valentino como patrimônio cultural da cidade.
As influências adquiridas ao longo do tempo, aproximando grupos diferenciados, só se fizeram presentes quando finalmente a notícia de que o bar mudaria de endereço foi confirmada. A mudança foi capaz de demarcar posições comuns dentre seus diversos grupos de freqüentadores. Construído com as mesmas características, só que num espaço maior, o “novo Valentino” a princípio causou estranheza aos freqüentadores, já tão acostumados ao antigo local, mas agradou pelas mudanças e novidades.
(Matéria publicada na Revista Grafias - Revista de Comunicação e Cultura da Faculdade Metropolitana IESB - Ed. 1 Primavera-Verão 2007) - Por Juliana Nunes e Fernanda Mendonça
por Juliana Nunes
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