Sunday, May 11, 2008

O MUNDO PERDE BERGMAN E ANTONIONI


Dois grandes ícones da história do cinema morrem no mesmo dia. E deixam saudades


Ernst Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni morreram no final de julho desse ano, exatamente no mesmo dia (dia 30), para a tristeza dos apaixonados por cinema e admiradores de seus trabalhos em todo o mundo.

O professor e sociólogo, Marco Antonio Rossi, fala de sua admiração pelos cineastas e do sentimento da perda para o cinema com a morte dos dois. “Bergman e Antonioni levam com eles para o Paraíso a experiência grandiosa do cinema como instrumento de elucidação e debate diante de grandes temas acerca do que vem a ser o ser humano”, comenta o professor.

Rossi destaca O Sétimo Selo, de Bergmaen e O Deserto Vermelho, de Antonioni, como exemplos do bom cinema que faz uma reflexão sobre o vazio do homem moderno. “O indivíduo na tela de Bergman e de Antonioni é aquele homem burguês que tanto sofre pela falta de razões éticas, que deve ao mesmo tempo, competir e evitar a barbárie”, explica.

Segundo o professor, é difícil falar sobre a morte dos cineastas. “Estamos encerrando uma era no cinema. Agora somos obrigados a ver os filmes de Hollywood - a Meca do Cinema - sem alternativas nem contrapontos. Pode ser exagero, mas a infeliz coincidência de morte no mesmo dia de Bergman e Antonioni encerra uma era: a da arte como expressão do ser humano em sua vasta imperfeição”.

Rossi sugere que se assista sempre ao diálogo entre o cavaleiro e a morte, durante um jogo de xadrez surreal, em O Sétimo Selo. Para ele, seqüências como aquela dificilmente serão vistas na história do cinema. “Uma pena! Cabe-nos resguardar toda a obra desses gênios da grande tela e da sensibilidade no trato do humano. São Shakespeares do século XX”, compara Rossi.

(publicado no Metrô on line - da Faculdade Pitágoras/ Metropolitana em 31/08/2007

por Juliana Nunes
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E ASSIM REVIVE O MITO



Depois de 30 anos da morte de Elvis Presley, fãs ainda relembram suas histórias


Milhares de pessoas se reúnem em Memphis, nos Estados Unidos, todo dia 16 de agosto, aniversário de morte do Rei do Rock, Elvis Presley, que faleceu nessa data, no ano de 1977, por insuficiência respiratória.

Fãs em todo o Brasil, também organizaram caravanas para participar do evento “Elvis Week 2007”. Aos que não puderam ir dessa vez, fica o desejo de tentar chegar o mais perto possível das lembranças, tendo que aguardar uma próxima oportunidade.
Bruno Magalhães Brito, estudante, 16 anos, mora com os pais em São Paulo, capital, e se declara fã de Elvis desde 2002, quando ouviu pela primeira vez a música A Little Less Conversation, que tocava no rádio. “No princípio, era a única música que eu gostava, até que meu pai emprestou de um amigo uns CDs, e a partir daí, o Elvis passou a fazer parte de mim, tornando-se algo quase que vital”, comenta com entusiasmo.
Apesar de tantas histórias sobre o ídolo que “ainda vive entre nós”, Bruno acredita sim, que Elvis morreu, mas apenas fisicamente. Não só para ele, mas como para todos os fãs do cantor, o mito permanecerá vivo em suas mentes e corações.
O fã conta que chegou a ter “um fio de esperança” quando surgiu o boato, recentemente, de que Elvis estaria morando na Argentina. “A história me pareceu convincente a ponto de ter me deixado em dúvida sobre a morte dele”, lamenta. Mas acrescenta que jamais fez alguma loucura para poder reencontrá-lo.
O jovem fã de Elvis é convicto de que o cantor foi e sempre será o maior da história, “sua morte não o apagou do cenário mundial por um simples fato, Elvis é inigualável e sempre será”, encerra.

LEIA MAIS:

20 coisas que você não pode deixar de saber:
1. Elvis ajudava os amigos e pessoas pobres. Uma vez, entrou em uma loja de automóveis e comprou vários Cadillacs. Deu todos de presente.
2. Nos anos 70, antes de um show em Las Vegas, Elvis foi ameaçado de morte. Entrou no palco e fez o show com um revólver no cinturão.
3. Os Beatles visitaram o Rei, em meados dos anos 60. Cantaram juntos e jogaram bilhar, mas as cenas não foram registradas.
4. Por pouco não existiram dois Elvis. O cantor teve um irmão gêmeo, mas Jesse nasceu morto.

5. Elvis fez show apenas nos Estados Unidos. Tocou somente uma vez no Canadá. Seu empresário, o coronel Parker, era holandês, e vivia ilegalmente no país. Por isso, tinha medo de viajar e não mais poder retornar.

6. Elvis tinha cabelos loiros. Tingia seu cabelo, pois gostava do tom de seu ídolo Tony Curtins.

7. Nos anos 50, Elvis deu uma pancada em um frentista que tentou afastar algumas fãs, quando parou em um posto de gasolina para abastecer. Foi a julgamento, mas acabou inocentado.

8. Quando queria ir ao cinema, Elvis fechava uma sala em Memphis só para seus amigos.

9. Depois de conversar com o presidente Nixon, em 1972, Elvis foi nomeado agente do FBI, pois queria ajudar os EUA na guerra contra as drogas.

10. Em um de seus filmes, O Seresteiro de Acapulco, de 1963, Elvis salta de penhascos em direção ao mar. Mas, na verdade, ele nunca pulou nem colocou os pés no México. O filme foi todo filmado em Los Angeles.

11. Elvis já cantou música de brasileiro, nos anos 60. Almost in Love, foi composta por Luiz Bonfá.

12. Certa vez, o motor da Ferrari de Elvis não pegou quando ele deu a partida. Irritado, ele atirou no carro.

13. O corpo do cantor foi sepultado no cemitério de Forest Hill, em Memphis. Mas, uma tentativa de roubo do corpo, fez a família transferi-lo para Graceland.

14. Elvis atirou em um aparelho de TV quando viu o cantor Robert Goulet, de quem não gostava nem um pouco.

15. Nenhuma das músicas de Elvis foi composta por ele.

16. A última foto de Elvis foi tirada em 15 de agosto de 1977, quando entrava pelos portões de sua casa, voltando do dentista. Um dia antes de sua morte.

17. Em 1968, o produtor Steve Binder levou Elvis para dar uma volta em Los Angeles, pois acreditava que já não iria chamar atenção. O mito não era mais tão popular.

18. Sempre que conhecia alguém Elvis se apresentava: “Hello, I´m Elvis Presley”. Como se ninguém o conhecesse.

19. Para um show que apresentou no Havaí, Elvis fez uma “apresentação teste”, um dia antes, e jogou para o público seu cinturão trabalhado em pedras. Um novo cinturão teve que ser confeccionado, em 24 horas, para o show oficial.

20. Graceland, a mansão onde viveu, é o segundo ponto turístico mais visitado dos EUA. Perde apenas para a Casa Branca.


Mas afinal, ele morreu ou não morreu?

Iniciada por um tablóide norte-americano de notícias curiosas Weekly World News, a lenda urbana de que Elvis Presley não morreu, corre até hoje por todo o mundo. Tudo começou nos anos 80, quando Elvis foi “flagrado” em Kalamazoo, Michigan, comendo um hambúrguer.
Depois disso, algumas testemunhas já o viram em um trailer na Lousiana, tendo aulas de dança do ventre, em Osaka, no Japão, conduzindo um bonde na República Checa e comprando sapatos de camurça azul, na Grã-Bretanha.

Mesmo não havendo provas dessas aparições, existe hoje, uma recompensa de US$ 3 milhões, ofertados por um grupo de apostas da Grã-Bretanha, para quem apresentar provas concretas de que o Rei do Rock ainda está vivo.

Uma pesquisa da rede de televisão CBS aponta que, aproximadamente, 20 milhões de norte-americanos ainda acreditam que Elvis não está morto. Os adeptos dessa teoria defendem qualquer tipo de justificativa, de que o ídolo teria simulado sua morte.
Alguns dizem que ele teria se beneficiado do programa de proteção a testemunhas e trabalharia para a agência norte-americana de luta contra as drogas (DEA), por isso teria que viajar pelo mundo todo.

Outros, um pouco mais perturbados, afirmam que Elvis foi seqüestrado por extraterrestres ou situações ainda mais inusitadas. Ou ainda, que se trata de uma experiência de clonagem, e que, na verdade, existem milhares de Elvis espalhados por todo o planeta.

Com tantas teorias, fica difícil acreditar que o maior ídolo do Rock de todos os tempos, teria mesmo partido da Terra. Talvez, uma versão um pouco mais amena, confortaria a todos os fãs: o nome Elvis forma o anagrama “Lives”, que quer dizer “vive”, em inglês


O “santuário” Graceland

Nascido em 8 de janeiro de 1935, em Tupelo, Mississippi, Elvis gravou seu primeiro disco demo em 1953. Somente em 1956, ao aparecer no programa de TV The Milton Berle Show, levou a platéia ao delírio com seu rebolado, provocando a ira de grupos conservadores que condenaram sua música e performance, considerando-as exageradas e sensuais para a época.

Além de músico, Elvis também foi ator e participou de 33 filmes. Ainda em 1956, lançou seu primeiro longa, que estreou com “Love Me Tender”, seu primeiro sucesso, como trilha sonora. Em 1957, comprou a mansão Graceland, onde viveu com a família até a sua morte.

Nesse ano, a Graceland preparou a “Elvis Week” - Semana Elvis - , atraindo cerca de 50 mil pessoas que fizeram vigílias à luz de velas e participaram de shows e tributos especiais ao cantor. Uma das atrações mais esperadas foi um show virtual, de aproximadamente duas horas, com os ex-músicos de Elvis e com o astro “cantando” em um grande telão, no dia 17.

Fãs do Brasil inteiro também organizaram uma caravana para participar da “Elvis Week 2007”. A viagem começou a ser agilizada através de uma comunidade no Orkut, e por um telefone criado especialmente para isso, o Disk Elvis. O empresário, Marcelo Costa, que se dedica desde o final dos anos 1970 a eventos ligados ao mito, foi o responsável pela excursão, que durou dos dias 6 a 18 de agosto.
(publicado no Metrô on line - da Faculdade Pitágoras/Metropolitana em 31/08/2007
por Juliana Nunes
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FATOS REAIS BASEADOS EM FICÇÃO


“Tropa de Elite” traduz a pura realidade vivida atualmente no Brasil


Cenas de ação, tiroteios, efeitos especiais, dignas de filme hollywoodiano. Mas, ao contrário do que gostaríamos de acreditar, “Tropa de Elite”, a mais recente produção do cinema nacional traduz a pura realidade vivida atualmente em nosso país.

O cenário: o Rio de Janeiro. Os personagens: a sociedade carioca. O contexto: a vida do cidadão comum em meio às crises do Estado, da violência urbana...ou seria uma típica cena dos tempos de guerrilhas civis encontradas em livros de histórias e filmes épicos, onde homens se matam para defender seus territórios?

Falta de oportunidade, escolaridade, desigualdade social, má criação? Não importa. O que interessa é que vivemos em meio ao fogo cruzado, e, de fato, nos resta apenas martirizar a certeza de vivermos mesmo no fim dos tempos.

Quando ouvimos dizer que é preciso incentivar a cultura, o esporte, prezar pela saúde e segurança pública, todo mundo concorda, parece fácil assumir tamanha responsabilidade se houver boa vontade de cada indivíduo. Porém, foi preciso “brincar de faz de conta” para comover uma sociedade com os problemas locais.

O comentário foi geral. A polêmica se estabeleceu: “Será que é tudo verdade?” É difícil encontrar alguém saindo das salas de cinema sem aquele nó na garganta ao verem as cenas do longa-metragem gravadas ali mesmo, bem perto de suas casas, sem muito esforço para a produção de cenários ou sacrifícios para elaborar o roteiro. O próprio elenco incorporou as personagens nas gravações ao serem “assaltados pelo seu público”. Parece cena de cinema! (risos)

Que realidade é essa? Que mundo é esse em que vivemos, onde as pessoas riem da própria desgraça e não têm forças para fazer as luzes se acenderem, acabar com a pipoca e voltar para suas casas com o alívio de que “ainda bem que foi tudo ficção”?
Por que é que ninguém acredita nos noticiários de TV? Será que a imprensa brasileira anda tão sem credibilidade assim, que não consegue fazer transparecer as necessidades de um povo para seu próprio povo?

É crítico. Mas, infelizmente esse é o povo brasileiro, que, desesperançoso com um mundo melhor se mostra cada vez mais alheio aos problemas do dia-a-dia, fazendo de suas vidas meras “passagens terrestres” sem expectativas de um final feliz.


(publicado no Metrô on line - site da Faculdade Pitágoras/ Metropolitana em 20/11/2007



por Juliana Nunes
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UM SONHO DE CHOCOLATE


O remake de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” deixou um gostinho de decepção em quem viu o original


O excêntrico Willy Wonka (Johnny Depp) vive numa fábrica de chocolates há anos, sem que ninguém nunca o tenha visto. Depois de 15 anos sem deixar um visitante sequer se aproximar de seus domínios, ele permitirá a visita apenas para cinco crianças, que serão selecionadas através da sorte - cinco barras de chocolate com um bilhete dourado foram lançadas pelo mundo afora, e quem os encontrasse teria o direito de conhecer a fábrica e todos os seus segredos.

Os vencedores: o guloso, Augustus Gloop (Philip Wiegratz); a ambiciosa Violet Beauregarde (Annasophia Robb); a esnobe mimada Veruca Salt (Julia Winter), o metido e viciado em televisão, Mike Teavee (Jordan Fry) e Charlie (Freddie Highmore), o garoto pobre e humilde que vive nos arredores da fábrica. As crianças descobrem que as coisas dentro da fábrica são ainda mais surreais do que imaginavam, e vão aprendendo uma lição devido seus maus comportamentos, através de situações realmente sinistras nas quais se metem.

A nova versão de “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (Tim Burton, 2005), baseado no livro de Roald Dahl é uma adaptação do clássico dirigido por Mel Stuart, em 1971. E acredito, ter deixado um gostinho de decepção em muita gente que passou pela infância e conheceu a versão original.
Particularmente senti um aperto no coração quando vi que estavam tentando revelar o passado de Willy Wonka (interpretado por Johnny Depp e no anterior, por Gene Wilder), e quase chorei ao ouvir os Oompa Loompas ao som de Heavy Metal, Rap e até Beatles!! Tudo bem, ficou engraçado, as coreografias também, muito divertidas (bem mais agradáveis do que aquela nostalgia dos anões verdes que cantavam naquele desânimo só).

Porém, a graça do primeiro filme está em você poder viajar nas mágicas, nas fantasias, é legal ter a surpresa do que vai acontecer, ver as crianças aqui fora, ficando de boca aberta e os olhinhos brilhando ao se imaginarem dentro daquele verdadeiro sonho. A sensação de que poderia encontrar um bilhete premiado ao abrir uma barra qualquer do chocolate, mesmo não sendo da marca Wonka, era fascinante.

A “nova fábrica”, também é boa. Mas não tem a mesma magia, não tem a mesma “sacada” que teve Mel Stuart naquela época. Tudo está muito manjado, as crianças não acreditam mais em contos absurdos. Riem porque gostam de ver outras pessoas se dando mal. Tudo o que se tenta “copiar”, ou “reapresentar” para as gerações anos 90, não passa de algo antiquado. Não adianta tentar mudar, atualizar, adaptar. Johnny Depp (mesmo sendo um ótimo ator) nunca chegará aos pés de Willy Wonka – o misterioso, solitário e apaixonado por chocolates, de Mel Stuart.


(publicada no jornal Metrô on line - site da Faculdade Pitágoras/ Metropolitana em 20/11/2007



por Juliana Nunes
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